Blog - Take your pillsHá algum tempo, eu venho com a sensação que o uso de drogas estimulantes está cada vez mais normatizado. Isto é, está cada vez mais sendo visto como “normal” e natural o uso delas. No entanto, enquanto eu via o Take your pills, essa sensação foi se tornando uma certeza. E, através desse documentário, acho que é possível ter uma dimensão maior do que está acontecendo.

Sobre o que é o Take your pills

Take your pills é um documentário americano de 2018 que está no (nosso lindo) Netflix. Ele aborda o uso de remédios utilizados para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, mais conhecido como TDAH. Fala, principalmente, do uso do Adderall.

Apesar do uso ser indicado para pessoas com o diagnóstico de TDAH, o documentário mostra como o seu uso tornou-se uma epidemia entre pessoas saudáveis, principalmente universitários, que os utilizam para melhorar a performance nos estudos ou no trabalho.

Além disso, o documentário também levanta questões como a validade do diagnóstico e dos efeitos dos medicamentos a curto e a longo prazo para seus usuários. Colocando em xeque, inclusive, a necessidade do seu uso.

O que eu achei?

Bom, como eu disse no início, mesmo trabalhando em consultório psicológico e lidando cotidianamente com a demanda das pessoas por remédios que visam resolver problemas na vida (que não necessariamente serão resolvidos com o uso deles), eu ainda me assustei com o documentário.

Acho que tem dois pontos principais para mim que são válidos de discussão. Primeiro, a cultura de superprodutividade que vivemos e o reflexo que isso está tendo na vida de todo mundo, principalmente dos mais jovens. As pressões que os universitários e jovens em início de profissão enfrentam por conta de performance e desempenho beira algo sobrenatural.

Somos levados constantemente a crer que temos que dar conta de tudo e de forma rápida e inteligente, porque nos sentimos em uma eterna competição com o mundo, com os outros e com nós mesmas. Então, quando vemos o aumento do uso de estimulantes entre jovens, é apenas uma consequência dessa pressão que vivemos para dar conta de tudo.

O segundo ponto que é algo que eu sempre questiono, principalmente por conta da minha formação em uma abordagem humanista existencial, é sobre o aumento do número de diagnósticos de TDAH. Duvido que esse transtorno exista? Não. De forma alguma! O que me causa dúvida é a quantidade exorbitante de casos que vêm sendo diagnosticados como tal.

Para mim a questão é: será que essas pessoas realmente têm TDAH? Ou será que a sociedade em que estamos vivendo está tornando cada vez mais difícil termos longos períodos de atenção focada e isso faz com que um diagnóstico errôneo aconteça ai?

E, independentemente da conclusão que chegamos, o que eu me pergunto é: para onde estamos caminhando ao vivermos dessa forma? Para que tudo isso?

Meio profunda a reflexão que eu fiquei desse documentário? Meio profunda. Mas, acho que é algo que eu já venho questionando há algum tempo.

O que você acha desse papo todo? Acha muita viagem? Concorda? Comenta aqui embaixo e vamos conversar sobre isso juntas?

[Vale a pena ver] Take your pills
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