Somos mesmo multitarefas?

De uns tempos para cá, eu sinto que fomos invadidas pela ideia de que o bom é ser multitarefas. Parece que está na moda ser multitarefas, você não acha? São várias abas abertas no nosso navegador de internet (cada uma com um assunto, claro), corremos risco de vida (literalmente) ao dirigir e mandar mensagens no celular, nos reunimos para ver um filme com a nossa família e aproveitamos para mandar aqueles e-mails que ficaram faltando. Não podemos desperdiçar um segundo hoje em dia, certo? Bom, eu não vejo muito por aí…

Como vocês sabem, eu li aquele livro Foco, do Daniel Goleman (o post que eu falo sobre ele está aqui), que fala sobre as diversas formas de atenção e as implicações destas no nosso dia a dia. Em determinado momento é abordada essa questão de multitarefas. O autor explica que o mito do multitarefas acredita que a atenção é um balão elástico que deve ser usado em conjunto. Isto é, é possível esticar nossa atenção de forma que englobe várias coisas e multitarefas seria aquele que conseguisse colocar os mais diversos assuntos dentro desse balão.

No entanto, o autor explica que a atenção funciona mais como um canal fixo e estreito e que não é possível dividi-la. Quando fazemos várias coisas ao mesmo tempo, na verdade, trocamos rapidamente o que está nesse canal. O fato de ficarmos fazendo essas trocas enfraquece a nossa atenção.

Resumo da ópera? O tiro sai pela culatra. A atenção é um recurso limitado, não dá para foca-la em várias coisas e o simples fato de focar leva algum tempo. Logo, ficar trocando de atividade toda hora prejudica.

Ok, ótimo! Isso foi a opinião embasada de alguém renomado na área. E aí, parei para pensar se isso faz sentido no dia a dia, no meu pelo menos. Embarca aqui comigo, vamos esquecer o que o Daniel falou sobre atenção e foco e fingir que não sabemos disso. Vamos pensar no nosso dia a dia…

Quando você se torna mais produtiva? Quando está focada em realizar uma única tarefa ou quando está resolvendo um bando de coisa ao mesmo tempo?

Quando você tem que escrever um e-mail de trabalho e resolve fazer isso enquanto está assistindo um filme com o seu namorado, como essas duas atividades são executadas? É da mesma forma como se você tivesse se concentrado em fazer uma de cada vez?

Não sei pra você, mas eu funciono muito melhor quando estipulo que nos próximos 30 minutos eu vou realizar aquela atividade e somente aquela atividade, por exemplo.

Quando eu parei para analisar o meu dia a dia, comecei a concordar com o que tinha lido. Essa ideia de que pessoas produtivas são multitarefas é a maior balela. Na prática, não funciona. Talvez seja por isso que as práticas de Mindfulness tenham chegado com uma força tão grande. Elas nada mais são do que a proposta de focarmos no presente, no que estamos fazendo aqui e agora, dando toda a nossa atenção a isso. É claro que envolve muito mais do que produtividade, aborda a questão de vivência de sentimentos, preocupações e etc. Mas, ajuda a quebrar o mito da multitarefas.

Agora, para e pensa se não é por conta dessa necessidade de sermos multitarefas que acabamos deixando muita coisa inacabada ou feita de qualquer jeito. Com isso, acabamos percebendo que não produzimos o quanto gostaríamos. Muitas das nossas atividades no dia a dia acabam sendo feitas nas coxas, sem a devida atenção que merecem.

Faz um teste, se proponha a realizar uma atividade por determinado tempo e foque somente naquilo. Focar somente na atividade significa sair das redes sociais, não checar e-mail, não verificar o whatsapp, ficar longe do telefone e se fazer não ser interrompida. Será que essa forma de realizar algo não faz mais sentido para você?

“Ana, mas no meu trabalho não tem como eu fazer isso. Todo mundo me chama toda hora!”

Vamos por partes então. Comece fazendo esse teste em um ambiente que você possa controlar. Se proponha a ler um livro, cozinhar seu jantar ou estudar para a faculdade e se dedique somente a isso por um pequeno intervalo de tempo. Perceba se isso funciona para você, se faz sentido. E a partir de então você começa o trabalho de trazer aos poucos para outras áreas da sua vida. Em algumas áreas será mais fácil, em outras mais difíceis, mas não desista!

Somos mesmo multitarefas?
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