Quando nos falta propósito

Ontem, eu estava na livraria e comecei a folhear o lançamento da Martha Medeiros, chamado Simples Assim. Eu sabia que ela era famosa, mas nunca tinha parado para ler alguma coisa dela.

Logo em uma das primeiras crônicas (Todos os motivos do mundo), ela fala sobre a inscrição que teve para o programa de assentamento em Marte. Cerca de 200 mil pessoas se candidataram e ela começa a descrever todos os motivos pelo qual uma pessoa poderia querer ir embora da Terra, mas também todos os “perrengues” e riscos que são enfrentados ao longo de todo o caminho até Marte.

Alguns de vocês me dirão:

“Ana, mas isso faz muito tempo! Foi em 2013 que abriram as inscrições!”

Eu sei, minha gente! Mas embarca aqui comigo…

Mesmo passados esses 2 (quase 3) anos, esse texto na mesma hora me fez pensar os motivos pessoais para alguém querer se arriscar assim. Claro que dentre esses milhares de inscritos, com certeza, há aqueles em que visitar Marte faz parte de seu propósito de vida, do seu sonho e da sua razão para viver. Mas, não acredito que esse seja o caso dos 200 mil inscritos.

E aqueles outros que não fazem parte desse grupo? Quais motivos será que eles encontraram para embarcar nessa viagem? Não poderia ser dinheiro, porque o programa é voluntário. Fama? Talvez, mas a pessoa não tem certeza se retornará a Terra. O que ela fará com essa fama? E aí, eu me pego pensando nos motivos que eles não têm para ficar aqui. Quantas pessoas não devem estar nesse mesmo barco? Não há nada aqui na Terra que realmente as façam ficar, não há sentido, não há motivação.

É exatamente isso que acontece quando não temos um propósito de vida claro. Acabamos ficando perdidas, sem sentido de direção para onde queremos ir e acabamos achando que qualquer oportunidade que apareça na nossa frente é válida. É aquela história que eu já contei aqui do gato da Alice, quando não sabemos para onde queremos ir, qualquer caminho serve. Está lembrada?

Claro que esse exemplo de estar tão perdida que topa até ir para Marte é um pouco exagerado e pontual. Mas, pensa naquelas ofertas de emprego, naqueles relacionamentos, naquele cliente que aparece e que você acaba aceitando e que depois de um tempo você percebe que não tinha nada a ver com o que você queria e que acabou lhe distanciando de onde você queria chegar.

O que eu proponho depois da leitura desse post é que você reflita: o que faria você ficar na Terra? Por que você recusaria essa viagem? Não é possível que a vida na Terra esteja tão ruim assim.

Quando nos falta propósito
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