A ditadura de não seguir padrão

A gente está vivendo em uma época em que se questiona sobre os padrões impostos, como poucas vezes já fizeram. Mas, será que é possível fugir dos padrões para valer?

Os padrões que não vemos

Que a gente vive em uma ditadura da beleza e com padrões superdifíceis de serem alcançados, todo mundo já sabe. Que isso vem provocando um adoecimento, principalmente das mulheres, isso todo mundo sabe também. No entanto, a minha dúvida surge sobre quão difícil é fugir dos padrões que são estabelecidos por ai.

E aqui eu não estou falando do padrão óbvio que existe. Esse nós já temos consciência.

Sabemos que muitas vezes as mulheres sofrem para conseguir o “corpo perfeito”, tendo comportamentos que vão totalmente contra a sua saúde física e emocional. Sabemos que aquela capa de revista ou aquele anúncio tem muito Photoshop. Sabemos que aquela boca, bochecha, barriga ou sobrancelhas podem não ser naturais.

A questão é sobre o padrão que surge quando questionamos e rejeitamos esses padrões óbvios que existem. Não sei vocês, mas eu sinto que no lugar de um padrão que é questionado surge um outro no lugar. E esse que surge no lugar é um padrão velado, um padrão que aparece como algo natural, como o “certo”, mas que acaba por colocar a gente em um aprisionamento também. E um aprisionamento igual senão pior do que o outro.

Por exemplo, a partir dos anos 2000 entrou na moda alisar o cabelo. O padrão de beleza era cabelo o mais liso possível. Com isso, passou a “não ser permitido” você ter o seu cabelo natural, cacheado ou encaracolado. Era visto como feio, desleixo, errado. De uns tempos para cá surgiu um movimento de você aceitar o seu cabelo como é, deixá-lo ficar natural e ver a beleza disso. Vários cabelos cacheados e encaracolados foram surgindo por aí e, para mim pelo menos, ficou a sensação de anos de desperdício. Anos em que esses cabelos foram abafados, escondidos e mal tratados. Anos que perdemos sem esse tipo de beleza (falo isso por experiência própria. Graças a esse movimento, assumi meus cachos por aí. Representatividade é tudo, minha gente!).

Ótimo! Lindo! Revolução dos cabelos naturais. Campanhas para você abandonar a chapinha e alisamentos para assumir o seu cabelo do jeito que é.

E aí que eu começo a fica incomodada com essa história. Porque surge um discurso um tanto quanto opressor para aquelas mulheres que não abandonaram a chapinha ou o alisamento. Como se aquelas mulheres fossem erradas, fracas… E é nesse momento em que eu falo que parece que assim que um padrão começa a cair por terra, outro surge logo em seguida de forma velada.

Indo contra o padrão

O propósito da gente se questionar e invalidar um padrão, não é para colocarmos outra regra logo em seguida, fazendo com que as pessoas pulem de um aprisionamento para outro. A ideia de questionarmos um padrão é justamente trazer uma liberdade e autonomia para aquela pessoa. É incentivar com que as pessoas se conectem com elas mesmas e se questionem em relação ao que faz sentido na vida delas, o que faz bem para elas.

Quando a gente não aceita aquela mulher que continua alisando o cabelo, por exemplo. A gente acaba repetindo o mesmo comportamento daquela galera que não aceitava a mulher que não alisava o cabelo. Vira uma ditadura em que todos têm que ser iguais.

Frigir dos ovos

Então, a reflexão que eu quero propor no artigo de hoje é: você realmente está fugindo dos padrões?

Evite essa cartilha de regras de como você tem que ser. Aqui eu dei exemplos de beleza, mas isso serve para todas as áreas da sua vida.

Se olhe, se perceba e questione o que faz sentido para você, o que está alinhado com quem você verdadeiramente é.

Não fuja de um padrão explícito para cair em um outro velado logo que virar a esquina. Esteja atenta e presente para saber fugir desse tipo de cilada.

E, além de se questionar em relação a isso, se pergunte se você não está julgando a coleguinha do lado. Sororidade é vida.

E, amada, tenha o cabelo e o corpo do jeito que você quiser, tá?

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